Venezuelana que vive no interior de SP há seis anos relata apreensão com crise no país e mantém esperança de retorno
06/01/2026
(Foto: Reprodução) Censo indica que venezuelanos lideram imigração no Centro-Oeste Paulista
Após os Estados Unidos realizarem um ataque de grande escala contra a Venezuela e capturarem o presidente Nicolás Maduro, na madrugada deste sábado (3), venezuelanos que vivem no Brasil relatam o sentimento de acompanhar a situação de longe.
No interior de São Paulo, Ronnielys Ivaneska, de 29 anos, mora em Presidente Prudente (SP) com o filho de sete anos. Ela se mudou para o Brasil há seis anos, junto com a mãe, em busca de melhores condições de vida.
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Ao g1, a atendente de soverteria relembrou como era a vida no país de origem. Antes de se mudar para o Brasil, Ronnielys fazia faculdade de Administração Financeira. “A partir de 2017 a situação começou a ficar bem difícil. A comida começou a elevar o valor e ficar escassa”.
“O pessoal fazia filas no mercado, extremamente desesperado em comprar em grandes quantidades pra poder estocar a sua casa, mas no momento que a pessoa fazia isso, deixava outra família sem”, continuou.
Venezuelana que mora em Presidente Prudente (SP) acompanha a situação do país de longe, após ataque dos EUA
Beatriz Jarins/g1
Mudança ao Brasil
Uma irmã de Ronnielys já havia se mudado para a cidade três anos antes, pelo mesmo motivo. “Uma coisa que hoje a gente lembra na época é que lá tem muitas árvores de manga e foi uma das coisas que ajudou muita gente, tinha que procurar manga para a gente comer”, relembra, emocionada.
“A gente procurava trabalhar, ir atrás, mas todo mundo estava na mesma situação, também não tinha dinheiro, era difícil. O salário ficou tão baixo que você escolhia entre você ter uma comida dentro de casa ou você comprar alguma coisa, um sapato…”, conta a venezuelana.
No Brasil, Ronnielys encontrou um lar e a chance de recomeçar, além do acesso ao tratamento adequado para o filho, Mathias, de sete anos, diagnosticado com a síndrome de Apert logo após o nascimento.
O filho dela está em tratamento pela rede pública, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), após passar pela primeira cirurgia de mobilidade nas mãos, “para que ele consiga separar os dedinhos e fazer as tarefas normalmente”.
Segundo Ronnielys, a princípio, a cirurgia nos pés — também para separação dos dedos — não será necessária, já que não compromete a locomoção do menino. Já o procedimento na cabeça, associado à síndrome, não é considerado obrigatório além da questão estética.
“Quando a gente chegou no hospital [no Brasil], a gente foi muito bem recebido, ganhei muita roupa para meu filho, para mim. Eu me senti muito acolhida. Hoje eu estou tranquila, eu me sinto em paz, feliz, me sinto acolhida desde o primeiro momento que eu cheguei aqui no Brasil, em Prudente”.
Venezuelana que mora em Presidente Prudente (SP) acompanha a situação do país de longe, após ataque dos EUA
Beatriz Jarins/g1
Apoio e acolhimento
O país vizinho se tornou um refúgio para a família venezuelana. “Eu vi o pessoal muito acolhedor, um pessoal com um grande amor, com um grande coração. Eu só tenho que agradecer. Me sinto em casa, sinto a saudade do meu país, mas essa aqui é a minha segunda casa, hoje eu consegui realizar alguns sonhos, eu consigo ter uma vida melhor”, continua.
Entretanto, Ronnielys também compartilha a saudade do país de origem e, principalmente, da família que permanece na Venezuela, a cerca de dez horas de distância da capital. “Tem muitas pessoas lá que estão bem, ruim, todo mundo, em geral. Então, não porque ele [Maduro] caiu, que melhorou… Tem muitas coisas para acontecerem ainda, a gente está na espera.”
“Eu penso que essa situação vai demorar muito para o país melhorar, seguir. A gente torce para isso, para a gente voltar ao que era antes. Muitos de nós voltarmos para o nosso país, para a gente conquistar nossos sonhos. Mas é uma coisa que vai levar tempo”, afirmou.
Venezuelana que mora em Presidente Prudente (SP) acompanha a situação do país de longe, após ataque dos EUA
Beatriz Jarins/g1
Contato com a família
A moradora de Presidente Prudente ainda não conseguiu contato com os avós, irmãos e primos que moram na Venezuela, até esta terça-feira (5). “A situação lá não está legal. Por exemplo, em Caracas, que é a nossa capital. Está tendo ainda um pouco de guerra.”
“Eu fiquei sabendo ontem que estava tendo tiroteio na capital. Então, a coisa não está sossegada por lá e talvez piore”, reforça.
A situação descrita pela venezuelana pode ser a noticiada pelo g1, em que drones não identificados sobrevoaram o Palácio de Miraflores, sede do governo da Venezuela, no centro de Caracas, na noite desta segunda-feira (5). Segundo uma fonte ouvida pela agência de notícias AFP, forças de segurança dispararam tiros para tentar abater os artefatos.
Os disparos começaram por volta das 20h no horário local (21h em Brasília). Uma fonte do governo afirmou à AFP que os drones faziam um voo não autorizado e que a situação estava sob controle. Nenhuma autoridade venezuelana se pronunciou oficialmente.
Venezuelana que mora em Presidente Prudente (SP) acompanha a situação do país de longe, após ataque dos EUA
Beatriz Jarins/g1
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