Veja o que é #FATO e o que é #FAKE na entrevista de Romeu Zema à Globo
24/08/2026
(Foto: Reprodução) Romeu Zema é o primeiro entrevistado entre os presidenciáveis
Globo/Manoella Mello
O candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema, foi entrevistado nesta segunda-feira (24) pela Globo.
Conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli diretamente dos Estúdios Globo, no Rio, a entrevista faz parte de uma série realizada com presidenciáveis. É a primeira vez que as sabatinas com postulantes ao Palácio do Planalto são exibidas após o "Jornal Nacional", e não durante o telejornal.
A emissora convidou os seis mais bem colocados na pesquisa de intenção de voto divulgada pela Quaest em 14 de agosto. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos.
A programação é a seguinte:
24 de agosto (segunda-feira) - Romeu Zema (Novo)
25 de agosto (terça-feira) - Ronaldo Caiado (PSD)
26 de agosto (quarta-feira) - Renan Santos (Missão)
27 de agosto (quinta-feira) - Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
28 de agosto (sexta-feira) - Flávio Bolsonaro (PL)
29 de agosto (sábado) - Augusto Cury (Avante)
A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações de Zema. Leia:
"Eu fui a El Salvador, inclusive sou o único candidato que esteve lá."
g1
A declaração é #FAKE. Veja por quê:
Zema esteve em El Salvador, país governado por Nayib Bukele, por três dias em maio de 2025. Mas ele não foi o único candidato a presidente da República que visitou a nação caribenha.
Ao menos um de seus concorrentes já fez essa viagem. Em novembro de 2025, o senador e candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) esteve no país e registrou a viagem em suas redes sociais.
Flávio Bolsonaro visitou órgãos de segurança como a Polícia Nacional Civil e se reuniu com o ministro da Justiça e Segurança Pública salvadorenho.
"Eu assumi [como governador de MG], Renata, não sei se você tem esse dado aí, com um déficit de R$ 11 bilhões [nas contas do estado], em 2018. Eu saí com superávit de R$ 5 bilhões, ou seja, o estado gastando menos do que arrecada, e antes gastava-se muito mais do que arrecadava."
Selo Não é Bem Assim (Horizontal)
g1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
O primeiro mandato de Romeu Zema como governador começou em janeiro de 2019. Ele renunciou, no segundo mandato, em março deste ano, para concorrer à Presidência.
No Balanço Geral do Estado de 2018, divulgado no final daquele ano pela Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais (SEF-MG), o déficit orçamentário (despesa superior à arrecadação) foi de aproximadamente R$ 11,4 bilhões.
No entanto, ao fim de 2025, último ano completo de Zema antes de deixar o cargo, o SEF-MG apontou um superávit de R$ 1,1 bilhão.
O saldo positivo de R$ 5,1 bilhões mencionado pelo candidato na entrevista desta segunda, refere-se ao ano de 2024, resultado impulsionado por receitas extraordinárias obtidas com os acordos de Mariana e Brumadinho.
Já para o fim de 2026, a projeção do SEF-MG é de retorno de um déficit de R$ 5 bilhões.
"Minas, vale lembrar, tem uma taxa [de feminicídios] menor que a média Brasil."
Selo Fake (Horizontal)
g1
A declaração é #FAKE. Veja por quê:
A versão mais recente do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada em julho pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com dados relativos a 2025, indicou que, em todo o Brasil, a taxa de feminicídios foi de 1,4 para cada 100 mil mulheres. O índice foi o mesmo registrado na edição anterior do levantamento.
Já em Minas Gerais, a taxa para os dois anos se manteve: 1,6 feminicídio para cada 100 mil mulheres.
Oito estados registraram, no ano passado, índices inferiores à média nacional: Amazonas (0,9), Bahia (1,3), Ceará (1), Rio de Janeiro (1,2), Rio Grande do Norte (1,1), Santa Catarina (1,3), São Paulo (1,1) e Sergipe (1,3).
"Tem estatísticas que apontam que 60 milhões de brasileiros vivem em área controlada pelas facções e crime organizado, que eu vou enquadrar como organizações terroristas."
Selo Fato (Horizontal)
g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
Uma pesquisa contratada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública junto ao Datafolha, publicada em maio deste ano, estima que 68 milhões de brasileiros percebem a presença de grupos criminosos envolvidos com o tráfico de drogas ou milícias no seu bairro de moradia, o equivalente a 41% da população. Destes, quase metade classifica essa atuação como "visível" ou "muito visível". No entanto, 12% dos entrevistados disseram ter sido compelidos a contratar serviços oferecidos pelos criminosos.
A diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, afirmou em entrevista ao jornal "O Globo" que isso pode ser interpretado como uma "notícia positiva" do levantamento, em termos de incidência, pois essa "nova camada, ainda mais cruel de exploração da população nesses territórios, ainda parece restrita a algumas localidades".
Já em junho de 2025, o mesmo Datafolha publicou estudo também encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em que afirmou que ao menos 28,5 milhões de pessoas convivem com o crime organizado no bairro onde vivem.
Já o estudo "Governança criminal na América Latina: prevalência e correlações", realizado pela universidade britânica Cambridge e publicado em agosto de 2025, estimou que entre 50,6 milhões e 61,6 milhões de pessoas vivem em locais com regras impostas por facções criminosas.
"Lembrando que nós tivemos um governador no passado que fez uma mudança na Constituição Mineira que fazia com que qualquer estatal que fosse ser vendida precisava de três quintos de aprovação da Assembleia. E nós conseguimos esses três quintos recentemente e vendemos a Copasa [Companhia de Saneamento de Minas Gerais]."
g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
Em 2001, a emenda nº 50 incluiu na Constituição mineira um parágrafo que previa quórum de três quintos da Assembleia Legislativa (ALMG) para a aprovação de lei que autorizasse "a alteração da estrutura societária ou a cisão de sociedade de economia mista e de empresa pública ou a alienação das ações que garantem o controle direto ou indireto dessas entidades pelo Estado”. A proposta de alteração do texto constitucional do estado foi apresentada pelo então governador Itamar Franco.
A mesma emenda também incluiu a exigência de referendo popular em caso de desestatização de empresa "de propriedade do Estado prestadora de serviço público de distribuição de gás canalizado, de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica ou de saneamento básico".
Em 2023, Zema propôs uma nova emenda que, na prática, excluía as duas alterações implantadas 22 anos antes.
A ALMG, no entanto, aprovou um texto mais restrito, excluindo a necessidade do referendo popular exclusivamente para a privatização de “empresa prestadora de serviço de saneamento básico”. O quórum de três quintos dos deputados estaduais para autorizações de desestatização foi mantido na Constituição estadual.
Com a mudança, em 2025, a ALMG aprovou por 53 votos a 19 (ou seja, com apoio de 68% dos 77 deputados) o projeto de lei apresentado pelo governo Zema autorizando a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A empresa foi efetivamente privatizada em 2026.
Esta checagem está em andamento.
Participaram da checagem: Camilla Alcântara, Clara Gomes Simão, Jan Niklas, Jorge Fofano, Marcelo Parreira, Mel Trench, Roney Domingos e Vinícius Cassela.
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