Rui Barbosa, Ariano Suassuna e mais: quem são as personalidades citadas por Messias em sabatina
29/04/2026
(Foto: Reprodução) Indicado de Lula para vaga no STF, Messias é sabatinado na CCJ do Senado
Reuters/Jorge Silva
O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, está sendo sabatinado nesta quarta-feira (29) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Ele foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ocupar o assento vago no Supremo Tribunal Federal (STF) desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025.
Acompanhe ao vivo a cobertura do g1 da sabatina do indicado a ministro do STF Jorge Messias
Ao longo de sua fala, o ministro citou alguns intelectuais, como o jurista Rui Barbosa e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Ulysses Guimarães. Messias também trouxe falas das suas referências.
Saiba quem são as personalidades citadas por Jorge Messias:
Assista a íntegra da fala de Jorge Messias em sabatina no Senado
Pontes de Miranda
Advogado e jurista brasileiro, é citado com frequência em tribunais brasileiros. O alagoano nasceu em 1892 e escreveu diversos livros sobre direito, sociologia, psicologia, política e filosofia. Foi advogado, desembargador, e embaixador na Colômbia. Também foi autor de obras de matemática e era apaixonado por física, o que lhe rendeu uma amizade com Albert Einstein. Pontes de Miranda faleceu em 1979.
No início do seu discurso, Jorge Messias citou uma frase atribuída ao jurista:
“Quem só sabe Direito, nem Direito sabe”, indicando a necessidade de uma abordagem multidisciplinar na magistratura. “Essa lição de Pontes de Miranda me inspira hoje perante este Senado”, declarou o indicado de Lula.
Rui Barbosa
Conhecido como patrono do Senado, Rui Barbosa foi advogado, jornalista, político e diplomata. Nasceu na Bahia em 1849 e, ao longo da sua carreira, atuou na elaboração da Constituição de 1891, que foi a primeira da República. Foi senador durante 32 anos e defendeu as leis e a democracia na Casa Alta. Faleceu em 1923.
O advogado-geral da União trouxe duas falas de Rui Barbosa durante seu pronunciamento. A primeira foi citada ao refletir sobre seu período trabalhando como assessor de Jaques Wagner (PT-BA) no Senado:
“A política é a higiene dos países moralmente sadios."
Messias também citou a “advertência” do jurista sobre como o Supremo Tribunal Federal não possui “soldados” ou “tesouros”. Para o indicado, a autoridade do Tribunal se funda na “fidelidade à Constituição e às leis” e na confiança pública estabelecida por meio de suas sentenças.
Ariano Suassuna
Escritor, dramaturgo, professor e filósofo, foi o autor da peça “O Auto da Compadecida”. Também escreveu obras como “O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta” e “Uma Mulher Vestida de Sol”. Além disso, foi membro da Academia Brasileira de Letras. Nasceu na Paraíba em 1927 e morreu em 2014.
Messias citou um trecho do soneto “A mulher e o reino”, que trata sobre uma mulher amada e uma paixão imortal.
“'O tempo duro tudo esfarela', como inspira o mestre Ariano Suassuna”, disse Messias.
Celso de Mello
Foi ministro do Supremo Tribunal Federal de 1989 a 2020, indicado por José Sarney. Antes disso, fazia parte do Ministério Público de São Paulo. Aposentou-se depois de 31 anos na Corte. O paulista nasceu em 1945.
O advogado-geral da União citou um artigo de opinião escrito pelo ex-ministro publicado em dezembro de 2025 na Revista Liberta. O título do texto, “A democracia começa pela ética dos juízes”, foi relembrado enquanto Messias falava sobre os deveres que identificava no Supremo, como ferramentas de transparência e controle.
Ribeiro da Costa
Foi ministro e presidente do Supremo, indicado pelo então presidente do tribunal, José Linhares. Ficou mais de 50 anos na corte.
Enquanto discursava sobre a importância da soberania popular na política, Messias resgatou a seguinte frase proferida pelo ministro em 1964:
“A Justiça, quaisquer que sejam as circunstâncias políticas, não toma partido, não é a favor nem contra, não aplaude nem censura”.
Ulysses Guimarães
Foi advogado, professor universitário, escritor e ex-presidente da Câmara dos Deputados. Fundou o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), e era conhecido como “Senhor Diretas” por conta da defesa da redemocratização em 1983 e 1984.
Jorge Messias usou uma citação do ex-deputado federal para encerrar seu discurso de abertura da sabatina. “Liberdade, Soberania, Justiça. Sobre estas ideias simples, construíram-se as maiores nações da história”, declarou.