Polícia prende mulheres que coagiam moradores a assinar provedor de internet de quadrilha que usava ilha como centro logístico para tráfico
02/07/2026
(Foto: Reprodução) Criminosos tentaram instalar 'Estado paralelo' em ilha usada como 'quartel' do crime
Duas mulheres foram presas nesta quinta-feira (2) por suspeita de coagirem moradores a contratar um provedor de internet ligado a uma quadrilha. Elas são alvos da Operação Cerco Estratégico e atuavam na região da Ilha do Bananal, na Iputinga, Zona Oeste do Recife.
A ação é uma continuação da Operação Iara, que prendeu 17 pessoas por envolvimento numa série de crimes na mesma região. Segundo a Polícia Civil, a quadrilha tentou instalar um "Estado paralelo" na região e usava a ilha como um "centro logístico" do crime organizado há cerca de um ano.
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A primeira operação foi deflagrada em maio deste ano. Nesta quinta, na nova operação, foram presas três pessoas, além de cumpridos quatro mandados de busca e apreensão.
Segundo o delegado Ney Luiz, da 1ª Delegacia de Polícia de Repressão ao Narcotráfico, os alvos de mandados de prisão nesta fase são duas mulheres e um homem.
Esse último é apontado como um dos chefes da quadrilha e já estava preso desde maio, após ter sido localizado no interior da Paraíba. Ele está detido no Centro de Observação e Triagem Criminológica Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife.
"Foram presas duas mulheres, que seriam as responsáveis por uma empresa de internet que coagia os moradores a contratar os serviços dessa empresa. [...] Tem outros indivíduos também com mandados de prisão expedidos. A investigação vai avançar no sentido de atacar o núcleo financeiro desse grupo criminoso, tentar chegar às pessoas que seriam destinatárias dos valores arrecadados com o tráfico", informou o delegado.
PM durante 'Operação Cerco Estratégico', na Ilha do Bananal, no bairro da Iputinga, Zona Oeste do Recife
Everaldo Silva/TV Globo
Ney Luiz explicou, ainda, que a Operação Cerco Estratégico é um desdobramento da Operação Iara, que foi chefiada pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar.
"Foi restabelecido o controle da área. A gente diz restabelecido porque houve uma tentativa da instalação do Estado paralelo na localidade, através de um grupo criminoso que agia na região. Restabelecida a ordem, a gente, a Polícia Civil, passou a atuar na área investigativa. Conseguimos mandados de prisão e mandados de busca e apreensão", declarou o delegado.
A Polícia Civil não divulgou os nomes dos envolvidos, nem quais foram os materiais apreendidos na operação.
As duas mulheres presas foram levadas à Colônia Penal Feminina do Recife, na Iputinga.
"Quartel-general do crime"
PM descobre ilha no Recife usada como esconderijo de drogas e armas
Na Operação Iara, a polícia apreendeu oito granadas artesanais, cinco veículos e 17 armas de fogo, incluindo fuzis e submetralhadoras na Ilha do Bananal, além de 3.770 munições.
A localidade onde o material estava escondido é de difícil acesso, apenas por embarcações, e com vegetação densa, de Mata Atlântica. Com uma área de 32 hectares, o equivalente a 44 campos de futebol, a ilha era usada por criminosos como um ponto estratégico para o tráfico.
Por isso, no local, também foram apreendidos vários tipos de droga, incluindo 4.627 quilos e 1.758 pedras de crack, 1.617 quilos de cocaína; e 16.440 quilos de cocaína.
Os policiais também encontraram sete balaclavas e dois celulares na ilha, além de balanças de precisão para pesar os entorpecentes e de Trajes Ghillie, que são roupas de camuflagem 3D para se esconder na vegetação.
O local funcionava como um "quartel-general" dos criminosos, que utilizavam a ilha como um depósito de armas de fogo, drogas e munições para serem posteriormente distribuídas para várias áreas do Grande Recife, de acordo com a SDS.
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