Placa em homenagem a Donga será inaugurada neste domingo na casa onde o músico viveu no Maracanã

  • 23/08/2026
(Foto: Reprodução)
A homenagem acontecerá neste domingo (23) Reprodução Uma placa em homenagem ao sambista Ernesto dos Santos, o Donga, autor da música registrada como primeiro samba, será inaugurada neste domingo (23), no Rio de Janeiro. O músico passou quase quatro décadas no imóvel que agora será sinalizado: começou a morar na casa no Maracanã em 1935 e permaneceu no endereço até sua morte, em 1974. A iniciativa faz parte do Circuito da Igualdade Racial, uma das frentes de trabalho do projeto NegroMuro, em parceria com o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). O circuito mapeia e sinaliza imóveis com relevância histórica para a memória negra da cidade. Agora no g1 ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 RJ no WhatsApp Com a homenagem a Donga, serão sete imóveis sinalizados pelo projeto. Antes dele, já foram homenageados Lélia Gonzalez e Mercedes Baptista, em Santa Teresa; Lima Barreto, em Todos os Santos; o GRANES Quilombo, em Acari; Anacleto de Medeiros, em Paquetá; e Wilson das Neves, na Ilha do Governador. O NegroMuro é mais conhecido pelos cerca de 80 murais já pintados em diferentes pontos do Rio, mas também atua na preservação da memória e do patrimônio histórico. A iniciativa é conduzida pelo pesquisador Pedro Rajão e pelo artista visual Fernando Sawaya. A placa de Donga faz parte da segunda etapa do projeto. Segundo Rajão, o nome do compositor já havia sido escolhido há anos, mas o processo de autorização e produção levou quase dois anos. “ Em 2024 eu entrei com os pedidos das placas que a gente está instalando agora. Quase 2 anos depois, sabe? Então o Donga não foi escolhido agora. Eu já escolhi ele há muito tempo, só que só agora a placa chegou na minha mão.” Placa em homenagem à Mercedes Baptista Reprodução/ Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) Donga e a história do samba Donga é lembrado principalmente pela relação com “Pelo Telefone”, registrada em 1916 e durante muito tempo considerada o primeiro samba gravado e lançado comercialmente com essa denominação. A própria classificação, no entanto, é alvo de discussões entre pesquisadores, já que a definição de samba ainda estava em processo de formação no início do século XX. Naquele período, ritmos como maxixe, lundu, choro, valsa e polca circulavam entre músicos e compositores. Segundo pesquisadores, “Pelo Telefone” também era resultado de uma produção coletiva das rodas musicais do Rio, e não de uma criação isolada. Seja como for, o registro da obra por Donga na Biblioteca Nacional como "Samba carnavalesco" teve imensa importância histórica e mercadológica. O compositor viveu de 1889 até 1974 Reprodução/Acervo TV Globo Por isso, Rajão defende que a importância de Donga vai muito além do pioneirismo atribuído à gravação. “Ele é um grandíssimo compositor carioca, que teve uma importância para o samba muito além da primeira gravação. Esse 'Pelo Telefone' é considerado o primeiro samba gravado. É um samba que já era cantado nas rodas, nos quintais do Rio de Janeiro.” Capa da partitura de Pelo Telefone, na Biblioteca Nacional João Ricardo Gonçalves/g1 A trajetória de Donga também está ligada a outros nomes fundamentais para a consolidação da música popular brasileira, como Pixinguinha e João da Baiana. O NegroMuro busca apresentar esses personagens dentro do contexto em que o samba urbano carioca começou a se formar, especialmente na região da Praça Onze e da chamada Pequena África. “A gente quis sinalizar não só a participação dele nesse processo do Pelo Telefone, da gravação desse primeiro samba, mas de contextualizar tanto ele quanto o Pixinguinha, quanto o João da Baiana, como homens negros jovens, nesse momento de Tia Ciata, de Praça Onze, de quando o samba urbano carioca está começando a se configurar.” Memória negra nos subúrbios A homenagem a Donga também representa uma das principais propostas do Circuito da Igualdade Racial: levar a memória de personalidades negras para os próprios territórios onde elas viveram e atuaram. A escolha dos locais ajuda a ampliar a compreensão sobre a história do Rio, mostrando que acontecimentos importantes também ocorreram fora das regiões tradicionalmente associadas à memória oficial da cidade. Para Rajão, registrar esses endereços também pode fortalecer o sentimento de pertencimento dos moradores. “Essa homenagem agora é uma coisa singela, é uma plaquinha na casa dele, mas que eu acho importante, porque a maioria dessas placas estão na zona sul e no centro. (...) A gente reivindicar o subúrbio como um espaço em que existem patrimônios de memória, que eu acho que é o objetivo maior dessas placas.” Donga na varanda de sua casa, no Maracanã Reprodução/Acervo TV Globo Donga, por exemplo, viveu próximo ao Maracanã. Para Rajão, registrar esse endereço permite mostrar que grandes nomes da cultura brasileira fizeram parte do cotidiano dos bairros cariocas. “O Donga morava, pô, aqui do lado do Maracanã. É todos esses gênios, todos esses arquitetos da nossa cultura, pisavam no mesmo chão que a gente.” Contra o apagamento Além de preservar endereços históricos, o Circuito da Igualdade Racial busca enfrentar o apagamento da participação negra na formação do Rio. O trabalho de preservação da memória patrimonial é uma das frentes do NegroMuro, que também atua por meio de murais e produções audiovisuais. Para Rajão, a combinação entre arte e sinalização dos espaços históricos ajuda a levar essas histórias para além dos livros e dos espaços institucionais. O pesquisador considera que placas, murais e outros elementos visuais podem funcionar como instrumentos de memória e educação, especialmente para as novas gerações. O produtor cultural Pedro Rajão e o artista urbano Cazé estão à frente do projeto Negro Muro Foto: Douglas Dobby A proposta é fazer com que essas personalidades deixem de ser desconhecidas e passem a fazer parte do conhecimento cotidiano dos cariocas. “O maior legado, olhando para um futuro assim de 20, 30 anos, seria tornar essas figuras, essas memórias, como beabá. Como algo comum mesmo.” O pesquisador resume a proposta do NegroMuro como uma forma de evidenciar uma história que, muitas vezes, já estava presente nos próprios territórios. “A gente não está trazendo a informação, trazendo uma iluminação, não, a gente está estampando o óbvio. (...) O Rio é uma cidade preta, africana, indígena.” 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/08/23/placa-em-homenagem-a-donga-sera-inaugurada-neste-domingo-na-casa-onde-o-musico-viveu-no-maracana.ghtml


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