Moradores fazem abaixo-assinado para cobrar fim da falta de água em bairro e escola de Uiramutã

  • 04/09/2026
(Foto: Reprodução)
Poço artesiano falha e deixa bairro e escola sem água em Uiramutã Moradores do bairro Baixada, no município de Uiramutã, no Norte de Roraima, elaboraram um abaixo-assinado para cobrar uma solução definitiva para a falta de água na região. O problema, que se estende por anos, afeta mais de 50 famílias e cerca de 500 alunos, além de servidores da Escola Estadual Joaquim Nabuco. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp A situação piorou em 21 de agosto deste ano, quando a bomba do único poço que atende o bairro quebrou. Técnicos da Companhia de Águas e Esgotos de Roraima (Caer) fizeram um reparo inicial no equipamento, mas depois descobriram que o problema real era outro: o poço havia secado. Sem soluções práticas, os moradores decidiram agir. Nesta quarta-feira (2), o grupo formalizou 167 assinaturas coletadas e enviou ofícios à Caer, ao Governo de Roraima, à Prefeitura de Uiramutã e à Secretaria de Estado da Educação e Desporto (Seed). Eles exigem uma avaliação imediata e a construção urgente de um novo poço artesiano para abastecer a região. Os ofícios foram enviados individualmente ao diretor-presidente da Caer, James Serrador, ao governador de Roraima, Soldado Sampaio (Republicanos), ao prefeito de Uiramutã, Tuxaua Benisio (Rede), e à secretária de Educação, Ana Célia de Oliveira Paz. O que diz o poder público Em nota, a prefeitura do Uiramutã disse que a seca em Roraima tem afetado o abastecimento de água na Escola Estadual Joaquim Nabuco e no bairro Baixada. Segundo a gestão, um caminhão-pipa disponibilizado pela Caer realiza o abastecimento no local como medida emergencial. Informou também que solicitou ao governo do estado a perfuração de novos poços artesianos como medida para solucionar o problema de forma definitiva e pediu que a população faça uso racional da água e evite desperdícios até a normalização do abastecimento. Questionado pelo g1, o governo de Roraima alegou que a Caer tem reforçado o abastecimento de água no município por meio de medidas emergenciais, devido à estiagem. Segundo a companhia, um caminhão-pipa foi enviado ao município para atender a população e a Escola Estadual Joaquim Nabuco, enquanto uma equipe técnica realiza estudos para a perfuração de um novo poço. A Caer também informou que uma licitação para a construção de 35 novos poços no estado está suspensa por decisão judicial. A paralisação ocorreu após uma empresa que participou da disputa entrar com um mandado de segurança, instrumento usado para contestar na Justiça uma possível ilegalidade. Já a Seed informou que emprestou contêineres e caixas d’água para auxiliar no abastecimento da escola estadual. Bomba que distribui água no bairro Baixada, em Uiramutã, não funciona de forma adequada há anos. Reprodução Água comprada e falta de estrutura Sem água nas torneiras, segundo os moradores, o poder público passou a enviar caminhões-pipa de forma emergencial. A medida, no entanto, não atende a todos os que vivem no bairro e muitas casas não possuem caixas-d'água para guardar o volume recebido. Para não ficar sem o recurso básico, quem pode, paga até R$ 80 por um abastecimento particular. O valor é considerado inviável para grande parte da vizinhança. O representante dos moradores, Fábio de Souza e Souza, explica que a população ficou sem água por quase uma semana e precisou "correr atrás do recurso de qualquer maneira". As dificuldades, no entanto, são constantes. "Moro a menos de 50 metros do poço e, mesmo quando ele funciona, preciso ligar um motor elétrico em casa para puxar a água de tão fraca que é a pressão. Imagine quem mora no alto da ladeira", relata Fábio. Escola sem aulas A Escola Estadual Joaquim Nabuco também enfrenta o colapso. Com a cisterna principal vazia, a gestão da unidade conseguiu duas caixas-d'água emprestadas para tentar manter as aulas. A água chega até a escola com a ajuda de moradores que possuem caminhonetes e fazem vaquinhas para o abastecimento particular. Um pai de dois alunos, que preferiu não se identificar, teme que o problema prejudique o andamento do ano letivo. "Num dia que não tem água, não tem aula. Queria que as lideranças tomassem alguma providência para acabar com isso", desabafa. Ele relata que a precariedade afeta as crianças tanto dentro quanto fora de casa. "Eu fico preocupado com isso, porque já nos nossos bairros aqui que não tem água, aí chega na escola, o aluno vai pra escola e não tem água. Aí eles são obrigados a voltar pra casa", lamenta o morador. Escola Estadual Joaquim Nabuca, em Uiramutã (RR), sofre com a falta de água por má distribuição. Arquivo pessoal Problema que se estende A escassez de água no bairro Baixada já era de conhecimento do Governo de Roraima. Documentos apontam que, em abril de 2025, a direção da escola pediu a perfuração de um poço próprio. Na época, a gestão alertou que a população local estava crescendo e o abastecimento existente seria insuficiente. O ofício passou pela Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi), pela Seed e chegou à presidência da Caer. No entanto, nenhuma obra foi executada. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

FONTE: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2026/09/04/moradores-fazem-abaixo-assinado-para-cobrar-fim-da-falta-de-agua-em-bairro-e-escola-de-uiramuta.ghtml


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