Médico de SC é preso por crimes sexuais contra jovens de 17 a 20 anos durante consultas na rede pública
04/03/2026
(Foto: Reprodução) Médico preso em Catanduvas
Um médico investigado por crimes sexuais contra ao menos 10 jovens foi preso preventivamente em Catanduvas, no Oeste de Santa Catarina, na terça-feira (3). Os episódios teriam ocorrido entre 2024 e 2025, durante atendimentos clínicos na rede pública de saúde. As vítimas tinham entre 17 e 20 anos.
Conforme o Ministério Público (MP), que também acompanha o caso, o profissional não era ginecologista, mas realizava supostos exames invasivos nas mulheres, tocava a região íntima delas sem autorização e fazia comentários de cunho sexual. O nome dele não foi informado.
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Ainda de acordo com a denúncia, “ele levou as vítimas a acreditarem que os atos praticados integravam procedimentos médicos legítimos, quando, na realidade, simulava exames clínicos com o propósito exclusivo de praticar atos libidinosos”.
A defesa do profissional negou o crime e afirmou que a atuação dele “sempre ocorreu dentro dos protocolos médicos, com respeito absoluto aos pacientes atendidos”. Afirmou ainda que as medidas jurídicas cabíveis já estão sendo adotadas para reverter a decisão (íntegra da decisão no fim do texto).
Já o Conselho Regional de Medicina disse ter encaminhado uma solicitação de informações ao Poder Judiciário, com o objetivo de adotar as medidas cabíveis e promover a devida apuração dos fatos no âmbito da Corregedoria.
Médico é preso por crimes sexuais contra jovens durante consultas
Tiago Ghizoni/NSC
Investigação
O caso é investigado ao menos desde novembro de 2025, quando o médico foi denunciado pelo MP por importunação sexual. À época, o Poder Judiciário negou um pedido de prisão para o suspeito, mas o recurso protocolado pela promotoria foi aceito em segunda instância.
No parecer emitido pelo Procurador de Justiça, Luis Eduardo Couto de Oliveira Souto, a prisão visa atender “não apenas à ordem pública, notadamente diante da gravidade concreta dos fatos e reprovabilidade da conduta, mas também evitar que o médico intimidasse as vítimas e eventuais testemunhas e repetisse o comportamento”.
O crime de importunação sexual é definido pelo Código Penal como “praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro”. A pena prevista é de um a cinco anos de cadeia.
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O que disse a defesa
A defesa técnica do médico investigado no município de Catanduvas (SC) vem a público esclarecer os fatos relacionados à prisão preventiva do profissional, ocorrida na tarde de ontem.
A decisão que determinou a prisão já havia sido amplamente divulgada pela imprensa desde a última quinta-feira. Diante disso, na manhã desta terça-feira o médico compareceu espontaneamente à Delegacia de Polícia de Catanduvas para se colocar à disposição das autoridades e cumprir a ordem judicial.
Na ocasião, contudo, foi informado pela autoridade policial que ainda não havia mandado de prisão formalmente expedido no sistema, razão pela qual não seria possível efetivar o cumprimento da decisão naquele momento.
Somente posteriormente, com a regular expedição do mandado judicial, a prisão foi efetivada na tarde de ontem.
Importa destacar que, durante todo o período em que permaneceu em liberdade, o médico jamais tentou se furtar à atuação das autoridades ou interferir no andamento do processo, postura que foi inclusive reconhecida no parecer da própria 41ª Procuradoria de Justiça Criminal do Ministério Público de Santa Catarina, ao registrar que “não há notícia de reiteração delitiva ou de qualquer tentativa de obstar a persecução penal”. 
A defesa reitera que o médico nega categoricamente a prática de qualquer crime e afirma que sua atuação profissional sempre ocorreu dentro dos protocolos médicos, com respeito absoluto aos pacientes atendidos.
Todas as medidas jurídicas cabíveis já estão sendo adotadas para reverter a decisão que decretou a prisão preventiva, inclusive mediante provocação das instâncias superiores.
Seguimos confiantes de que, no curso regular do processo, a verdade dos fatos será devidamente esclarecida.
O que disse o CRM
O Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC) informa que, tomou conhecimento dos fatos na data de ontem, através de reportagens da imprensa. Diante disso, a autarquia está encaminhando, na data de hoje, solicitação de informações ao Poder Judiciário, com o objetivo de adotar as medidas cabíveis e promover a devida apuração dos fatos no âmbito da Corregedoria.
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