'Me chamou de macaca e macumbeira', diz vítima agredida com pedaço de madeira em caso de racismo em Americana
04/02/2026
(Foto: Reprodução) Polícia investiga caso de racismo em Americana
Uma mulher de 45 anos foi presa em flagrante na noite desta terça-feira (3) após agredir sua vizinha com um pedaço de madeira e proferir ofensas de cunho racista e de intolerância religiosa. O caso ocorreu na Vila Belvedere, em Americana (SP).
Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), a suspeita foi solta na manhã desta quarta-feira (4) e deve responder em liberdade. Ela nega as acusações de racismo e afirma que agiu em legítima defesa.
Em reportagem à EPTV, afilidada da TV Globo, a vítima relatou que a agressora passou em frente à janela da sua casa imitando um macaco e proferindo xingamentos racistas e misóginos, como "macaca" e "prostituta".
Em seguida, a vítima, que é adepta da religião Umbanda, foi até o portão e a suspeita lhe atacou com socos e puxões de cabelo.
"Ela veio para a minha janela com o pai dela, me chamando de biscate, de galinha, de prostituta, de macaca, de macumbeira (...) Na hora que eu abri o portão, ela veio correndo e me deu socos, chutes", relatou a vítima.
Ainda de acordo com o relato, o pai da suspeita também a ofendeu, após a vítima agir em legítima defesa e arranhar a agressora.
"Ela pegou o pau [de madeira], e disse 'se ela descer, eu vou terminar de matar ela'. Foi com quatro golpes: um acertou no portão, um na minha cabeça, (...) e um feriu meu braço, e eu caí no chão", relata a vítima.
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Segundo o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada para atender uma ocorrência de briga entre vizinhas. Ao chegar no local dos fatos, os policiais avistaram a suspeita desferindo golpes em direção à vítima com um pedaço de madeira.
A suspeita apresentava escoriações, mas recusou atendimento médico, e foi detida no local. A vítima foi socorrida ao Hospital Municipal de Americana. Os policias apreenderam o pedaço de madeira que estava no local.
O que diz a suspeita
Pedaço de madeira teria sido usado para agredir mulher em Americana
Polícia Militar
Segundo o boletim de ocorrência, a suspeita afirmou que não tem qualquer preconceito em relação à religião ou a sua cor de pele da vítima. Ela também nega que tenha proferido ofensas preconceituosas e que tenha imitado um macaco.
A suspeita afirma que a vítima a agrediu inicialmente, e que agiu em legítima defesa. Ela relata que a vizinha chegou a ameaçar pegar uma faca, e por isso pegou um pedaço de madeira.
Ainda de acordo com o B.O., a suspeita declarou que a vítima se mudou para um prédio vizinho ao dela recentemente. Ela afirmou aos policiais que vive com um pai idoso, de 76 anos, e um irmão com paralisia cerebral, de 35 anos, e alega que a vítima "realizava gritarias, ora brigando com o marido, ora brigando com a mãe" em horários de repouso.
Ela afirma que a vizinha mantinha um centro religioso na casa e chegou a pedir a compreensão da vítima em relação ao barulho, mas não teve sucesso. Ela ainda relata que acionou a Guarda Municipal em uma ocasião, e que até mandou vídeos para a proprietária do imóvel.
Desde então, a suspeita relata que a vítima passou a hostilizar sua família com palavrões frequentemente, afirmando que "iria pegá-los". Posteriormente, ela soube que a proprietária havia pedido que a vítima desocupasse o imóvel.
Testemunha
A amiga da vítima que presenciou o crime confirmou aos policiais que a suspeita tinha proferido ofensas preconceituosas contra a umbandista. Ela afirmou que a vítima e suspeita tem um histórico de desentendimentos.
Ela relata que, durante a briga, a suspeita chegou a falar "hoje, todo mundo vai para o cemitério". Também afirma que a vítima já teria registrado ocorrências relacionadas a agressora.
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