Guto Graça Mello produziu primeiro disco da Xuxa e foi chefe de Cazuza e Lulu Santos em gravadora
05/05/2026
(Foto: Reprodução) Guto Graça Mello produziu disco 'Xou da Xuxa' (1986), que vendeu cerca de 3 milhões de cópias.
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O produtor musical e compositor Guto Graça Mello morreu nesta terça-feira (5), no Rio de Janeiro, aos 78 anos.
A causa da morte, segundo familiares, foi uma parada cardiorrespiratória.
Nome central na construção da identidade sonora da TV Globo e da gravadora Som Livre, Guto foi o responsável por sucessos que marcaram gerações, desde a abertura do "Fantástico" até a consolidação de fenômenos populares como o "Xou da Xuxa".
O fenômeno 'Xou da Xuxa'
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Um de seus maiores marcos comerciais ocorreu em 1986, quando recebeu a missão de produzir o álbum de estreia de Xuxa na Som Livre.
Na época, o produtor chegou a relatar ao então presidente da gravadora, João Araújo, que a apresentadora "não era cantora".
A resposta de Araújo foi direta: "Se vira". "Fui apresentado a ela e pedi para cantar. Percebi que ela não conseguia dar uma única nota. Contei para o João e ele disse: 'Inventa um disco'", relembrou Guto em entrevistas.
Disco 'Xou da Xuxa' foi lançado em 1986
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Apesar da resistência inicial de alguns compositores, Guto mobilizou nomes renomados para o projeto.
O disco trouxe parcerias de Rita Lee e Roberto de Carvalho (em "Peter Pan"), Frejat e Guto Goffi ("Garoto Problema") e versões de Ronaldo Bastos para clássicos de Stevie Wonder ("Miragem Viagem").
Para completar o repertório, o produtor também recorreu a improvisos que se tornaram clássicos: o hit "Quem Qué Pão", por exemplo, foi criado por uma assessora de imprensa da gravadora como uma brincadeira para os filhos.
O álbum, que imortalizou hinos como "Doce Mel (Bom Estar com Você)", acabou vendendo cerca de 3 milhões de cópias.
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Bastidores da Globo e descoberta de talentos
Guto Graça Mello assumiu a direção musical da Globo no início dos anos 1980, após uma temporada de estudos na Universidade de Berkeley, na Califórnia, incentivada por Boni.
Guto Graça Mello
Renato Velasco
Na emissora, ele coordenou trilhas de novelas históricas como "Gabriela", "Pai Herói" e "Pecado Capital" — esta última teve o tema de abertura composto por Paulinho da Viola em apenas um dia, a pedido do produtor.
Na Som Livre, Guto também atuou como um "caça-talentos silencioso". Entre seus assistentes na gravadora estavam jovens que viriam a ser pilares do rock brasileiro: Cazuza, que trabalhava na assessoria de imprensa, e Lulu Santos, responsável por ouvir as fitas cassete de novos artistas.
Legado no cinema e na música
Com quase 400 álbuns produzidos ao longo da carreira, Guto não se limitou à televisão. No cinema, assinou a trilha de mais de 30 longas-metragens, incluindo "Cazuza - O Tempo Não Para", "Se Eu Fosse Você" e "Nosso Lar".
Nos anos 1990, trabalhou com grandes nomes da MPB, como Maria Bethânia e Roberto Carlos.
Guto Graça Mello deixa um legado de inovação na produção fonográfica brasileira, tendo sido um dos primeiros a entender a música não apenas como arte, mas como parte fundamental da narrativa audiovisual e do mercado de massa no Brasil.