Família e moradores contestam versão de policiais e dizem que vendedor de lanches foi morto na porta de casa em Salvador
24/07/2026
(Foto: Reprodução) Vendedor de lanches morre após ser atingido durante confronto entre policiais e homens armados em Salvador
Reprodução/Redes Sociais
Familiares e moradores do bairro de São Cristóvão, em Salvador, contestam a versão apresentada por policiais militares sobre a morte do vendedor de lanches Leonardo Gil Lima, conhecido como "Léo Lanches", de 33 anos. Eles afirmam que o trabalhador foi morto na porta de casa, não estava armado, não tinha envolvimento com a criminalidade e negam que tenha ocorrido confronto no local.
A morte aconteceu na noite de quinta-feira (23), na localidade de Lessa Ribeiro. Em nota divulgada após o caso, a PM informou que equipes da 49ª Companhia Independente (CIPM) faziam patrulhamento na região quando encontraram homens armados, houve troca de tiros e, ao fim da ocorrência, encontraram Leonardo baleado.
Conforme a corporação, ele foi socorrido e levado para o Hospital Menandro de Farias, mas não resistiu aos ferimentos.
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A versão é rejeitada por moradores da comunidade, que realizaram um protesto na noite de quinta-feira (23) e nesta sexta (24). Durante as manifestações, familiares, amigos e vizinhos pediram justiça e gritaram "Léo é inocente".
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Uma moradora da região, que preferiu não se identificar, afirmou que Leonardo havia acabado de chegar do trabalho quando foi baleado.
"O que aconteceu ontem foi uma verdadeira tragédia. Essa policial precisa ser punida. Ela não pode chegar na comunidade onde a gente mora e fazer isso. Ela disse que Léo estava armado. Essa foi a arma que ele estava", disse, apontando para a bolsa onde ele carregava os lanches.
A vizinha contou ainda que o vendedor caiu ao lado da motocicleta logo após ser atingido.
"Léo caiu praticamente em cima da moto. Ele tinha acabado de chegar do trabalho dele. Todo mundo aqui pode provar que Léo é inocente, que nunca fez nada. Era evangélico."
Família e moradores contestam versão de policiais e dizem que vendedor de lanches foi morto na porta de casa em Salvador
Reprodução/TV Bahia
Em outro momento, ela pediu para que os policiais parassem de associar a imagem de Léo com crimes.
"Parem de manchar o menino depois de morto. Já fizeram o que fizeram, mas parem de manchar. Governador, pelo amor de Deus, eu e a comunidade Lessa Ribeiro imploramos, olhe pela gente. Secretário de Segurança Pública, olhe pela gente. Somos trabalhadores, honestos, todos acordamos cedo para comprar o pão de cada dia. E agora? Quem vai sustentar o casal de filhos de Léo? (...) Pelo amor de Deus, justiça."
Ela também reforçou que Leonardo era conhecido na comunidade.
"Um menino trabalhador, de 33 anos, nascido e criado na Comunidade Lessa Ribeiro, e de família humilde. Até quando? Léo não era bandido, não estava com arma e drogas".
O primo da vítima, Franklin, também afirmou que Leonardo foi morto em frente à casa onde morava.
"Ele foi executado na porta da casa dele, com um tiro na cabeça. Deixou dois filhos e uma esposa. Era um homem trabalhador e tinha seis dias que tinha inaugurado o comércio dele".
Segundo ele, Leonardo vivia um momento de felicidade com o novo negócio.
"Estava feliz e foi embora", lamentou.
Um grupo de pessoas interditou uma rua da região com entulhos e pneus.
Reprodução/Redes Sociais
Um amigo da vítima, identificado como Wendel, contou que conversava com Leonardo por telefone poucos minutos antes da morte.
"Ele me falou: 'Estou com saudade de você e liguei para a gente conversar'. Logo depois falou: 'Segura aí, segura aí'. Eu só ouvi os disparos. Depois veio um colega dizendo que ele tinha sido morto e eu não acreditei. Foi uma ligação de despedida. Uma covardia. Nunca pensei em passar por isso."
Ao lembrar do amigo, Wendel disse que Leonardo era conhecido por ser um trabalhador.
"Um homem bom, pai de família, que foi covardemente executado."
O que diz a Polícia Militar
A Polícia Militar informou que o caso é investigado pela Polícia Civil e pela Corregedoria da corporação para esclarecer a dinâmica da ocorrência e as circunstâncias da morte de Leonardo Gil Lima.
Segundo a PM, os policiais envolvidos utilizavam câmeras corporais e as imagens serão encaminhadas às autoridades responsáveis pela investigação.
A corporação também informou que o comandante-geral determinou a instauração de um procedimento administrativo para apurar a atuação dos agentes e o afastamento dos policiais militares envolvidos na ocorrência.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) afirmou que se solidariza com familiares, amigos e vizinhos de Leonardo Gil Lima e informou que tanto a Polícia Civil quanto a Corregedoria da PM instauraram inquéritos para esclarecer o caso.
Em nota, a Secretaria de Mobilidade (Semob) informou que um ônibus foi incendiado na noite de quinta. O veículo fazia a linha 1036 – Estação Mussurunga x Fazenda Grande 2/Cajazeiras 8 e foi atacado quando trafegava pela Avenida Aliomar Baleeiro. Segundo a pasta, o veículo ficou totalmente destruído.
Nesta sexta, os ônibus do transporte público deixaram de circular pelas ruas de São Cristóvão.
A Semob informou ainda que as linhas de outros bairros que passam pela região de São Cristóvão foram desviadas por Mussurunga. Já os ônibus que saem do final de linha de São Cristóvão estão circulando apenas até a Avenida Dorival Caymmi e fazem base na Estação Mussurunga. Equipes da secretaria acompanham a operação no local.
Manifestantes colocaram fogo em um ônibus
Reprodução/Redes Sociais
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