‘Drones do crime’ se multiplicam no RJ; polícia tem setor exclusivo para combater ataques de equipamentos de facções

  • 22/07/2026
(Foto: Reprodução)
‘Drones do crime’ se multiplicam no RJ O uso de drones por facções criminosas no RJ deixou de servir apenas para monitoramento e passou a representar uma ameaça cada vez mais direta. Ataques com lançamento de explosivos têm se tornado mais frequentes em áreas conflagradas da cidade, levando a Polícia Civil a criar uma unidade especializada para investigar e combater o uso dessas aeronaves pelo crime organizado. Inicialmente empregados para monitorar a movimentação de policiais e grupos rivais, os equipamentos passaram também a ser utilizados em ataques com explosivos, elevando o grau de preocupação das forças de segurança. Um dos casos mais recentes ocorreu em uma comunidade de Curicica, na Zona Sudoeste da capital. Uma granada atingiu o telhado de uma residência durante um confronto entre grupos criminosos. Nesta semana, a Polícia Civil confirmou que o explosivo foi lançado por um drone. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça A região tem sido palco de uma disputa violenta entre traficantes e milicianos. Meses antes, outro ataque semelhante já havia sido registrado no local, desta vez tendo como alvo um veículo blindado da Polícia Militar. Apesar da gravidade dos episódios, ninguém ficou ferido. Imagens obtidas pelos investigadores também mostram outro drone lançado por criminosos despejando um explosivo na mesma região. Segundo a polícia, os equipamentos vêm sendo empregados principalmente para ampliar a capacidade de vigilância das facções e dificultar ações policiais. Imagem postada nas redes, segundo a polícia, mostra criminosos controlando drone Reprodução "Criminosos do Rio de Janeiro hoje estão usando o drone primordialmente para monitorar tanto a polícia quanto facções rivais. Eles já não abrem mão dessa ferramenta. É como se fosse um sistema integrado às atividades que desempenham para manter o domínio territorial", afirma o delegado Marcos Motta, responsável pelas investigações. De acordo com a Polícia Civil, os grupos criminosos utilizam desde drones pequenos e discretos até modelos maiores, semelhantes aos chamados drones agrícolas. "Já obtivemos imagens, inclusive, de criminosos operando drones agrícolas desses", acrescenta Motta. Ataques recentes O uso de explosivos acoplados a drones já foi registrado em diferentes regiões da cidade. Durante uma megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, em outubro do ano passado, policiais foram atacados por drones que lançaram artefatos explosivos enquanto as equipes ingressavam em uma das comunidades. Já em maio deste ano, um adolescente de 15 anos sofreu uma fratura na perna após ser atingido por um explosivo repleto de pregos lançado por um drone em uma comunidade de Brás de Pina, na Zona Norte. Os episódios reforçam o alerta das autoridades sobre a evolução das táticas empregadas pelas organizações criminosas. Nova unidade especializada Diante do avanço do uso desses equipamentos, a Polícia Civil criou, em março, a Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas, setor dedicado exclusivamente ao monitoramento, investigação e combate aos drones utilizados pelo crime organizado. Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas investiga o uso de drones por facções Divulgação De dentro de uma central operacional, agentes acompanham movimentações suspeitas e utilizam a tecnologia para apoiar investigações e operações policiais. Segundo o delegado, as organizações criminosas vêm profissionalizando o uso da ferramenta. "Hoje a gente já vê posições formais surgindo dentro dessas organizações criminosas, como a do piloto de drone", afirma Marcos Motta. Ele acrescenta que os operadores vêm aperfeiçoando técnicas para evitar a identificação dos pontos de decolagem e pouso das aeronaves. "Eles vão se aperfeiçoando, detectando locais em que conseguem fazer o pouso e a decolagem de maneira oculta, de forma que fique mais difícil para nós detectarmos de onde esses drones estão sendo levantados." Treinamento no exterior Investigações recentes também apontaram que traficantes estariam buscando treinamento fora do país. A Polícia Civil apura informações de que integrantes de facções viajaram para a Ucrânia para aprender técnicas relacionadas ao uso e operação de drones. O país europeu, em guerra com a Rússia desde 2022, tornou-se uma referência mundial no emprego dessa tecnologia em operações militares. Para Roberto Uchôa, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pesquisador da Universidade de Coimbra, a informação não causa surpresa. Bomba lançada por drone do tráfico Reprodução/TV Globo "Houve uma investigação apontando que integrantes do Comando Vermelho teriam ido até a Ucrânia para aprender o desenvolvimento dessa tecnologia e como ela está sendo utilizada no campo de batalha. É uma informação que não me surpreende", afirma. Segundo ele, o cenário exige atenção constante das autoridades. "A gente precisa ter esse trabalho de inteligência e acompanhamento para evitar que o problema se agrave." Tecnologia e improviso Embora os ataques demonstrem sofisticação crescente, apreensões recentes mostram que muitos dos dispositivos ainda são adaptados de forma improvisada. Em uma ação da Polícia Militar, foram encontrados drones que utilizavam plástico e cordas para prender explosivos à estrutura da aeronave. De acordo com os investigadores, o uso ostensivo de drones por criminosos começou a chamar a atenção das forças de segurança a partir de 2021. Desde então, os equipamentos se tornaram ferramentas importantes para o monitoramento de territórios controlados por facções. Drones REUTERS/Jair F. Coll Agora, porém, a utilização para o lançamento de explosivos representa um novo desafio. "A gente tem buscado se capacitar o tempo todo, tentando descobrir o que há de mais moderno e qual caminho esse uso de drones está tomando para tentar se antecipar", afirma o delegado. Segundo ele, a Polícia Civil já adota contramedidas para proteger agentes em operações e ampliar a produção de provas em investigações relacionadas ao uso ilegal das aeronaves. "O objetivo é salvaguardar nossos policiais e facilitar a obtenção de dados para alimentar os inquéritos que investigam o uso indevido desses drones pelas facções." 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/07/22/investigacoes-drones-do-crime-no-rj.ghtml


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