Cheia antecipada do rio Purus afeta moradores e produtores rurais no sul do Amazonas
31/01/2026
(Foto: Reprodução) No sul do Amazonas, as enchentes chegaram antes da hora e pegaram milhares de moradores de surpresa.
O nível do rio Purus, que corta o município de Boca do Acre, está 22 centímetros acima da cota de inundação.
Na zona urbana, 4 mil pessoas vivem em áreas alagadas. A Defesa Civil distribui água potável para 170 famílias que pediram ajuda e está de prontidão para levar os moradores para abrigos se a água subir mais. Alguns moradores, já acostumados com as enchentes, adaptam suas casas.
Na zona rural, os impactos são ainda mais severos. A água avançou sobre as plantações. Os produtores anteciparam a colheita para diminuir as perdas.
"Sempre a água maior que nós temos passado aqui é de fim de fevereiro pra março, e esse ano ainda estamos em janeiro. Se fosse uma terra alta eu colheria duas vezes, como é na terra baixa eu colho uma vez, então se eu ia fazer 5 mil quilos de açúcar, eu vou fazer 2,5", conta José Raimundo Batista, produtor de cana-de-açúcar.
Geralmente os produtores rurais escolhem as áreas mais baixas, áreas de várzea, porque o plantio se desenvolve mais rápido. Foi o caso da roça do seu Gecivaldo, que junto com a família, plantou 5 mil pés de mandioca. Mas eles não esperavam que a água chegaria tão cedo.
Repórter: "Vai ter prejuízo aqui?".
Gecivaldo: ""Com certeza, vai ter um prejuízo de mais ou menos estimativa de 40%, 45% de prejuízo. Porque a água chegou mais cedo, né? E não deu tempo da mandioca ficar mais ou menos no ponto certo de fazer a farinha, até mesmo de vender."
Repórter: E o que não tiver como colher?
Gecivaldo: "Vai perder. A água vai levar tudo."
A Defesa Civil do município orienta os moradores das áreas de risco a procurarem o órgão em caso de necessidade.
"Existe previsão de continuidade das chuvas. Então é provável que o rio continue nesses níveis elevados, pelo menos pelos próximos 15 dias. A gente vai seguir com monitoramento com foco para esse período de cheia", explica o pesquisador Marcus Suassuna, do Serviço Geológico do Brasil (SBG).
Cheia antecipada do rio Purus afeta moradores e produtores rurais no sul do Amazonas
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