Águas do Rio terá que adotar medidas para reduzir interrupções no abastecimento, em Cachoeiras de Macacu

  • 16/09/2026
(Foto: Reprodução)
Justiça determina medidas contra falta d’água em Cachoeiras de Macacu A 2ª Vara da Comarca de Cachoeiras de Macacu, na Região Metropolitana do Rio, determinou que a concessionária Águas do Rio adote medidas para reduzir as interrupções no abastecimento de água no município. Entre as determinações estão o monitoramento do sistema, a gestão antecipada dos reservatórios com base em alertas meteorológicos, protocolos para retomada do fornecimento e abastecimento alternativo para equipamentos públicos e grupos prioritários. A concessionária também deverá, em até três dias após ser notificada, realizar o desassoreamento das tomadas de água e das barragens da Unidade de Tratamento Rio Souza. A empresa deverá ainda vistoriar a unidade de Posto Pena e fazer o mesmo serviço, se necessário. 📱 Siga o canal do g1 Região Serrana no WhatsApp. Falta d'água em Cachoeiras de Macacu divulgação O fornecimento alternativo deverá atender locais como Hospital Municipal, ambulatórios e postos de saúde, escolas, Prefeitura, Fórum, Corpo de Bombeiros, Guarda Civil Municipal, Polícia Militar e Delegacia. Filtração A concessionária deverá implantar, em até dez dias, uma solução provisória de clarificação e filtração nas unidades Rio Souza e Posto Pena, ou adotar outra medida com eficácia técnica comprovada. A decisão permite o uso de uma estação de tratamento compacta ou móvel. A estrutura deverá funcionar até que uma solução definitiva seja implantada. Em até 30 dias, a empresa deverá apresentar um projeto técnico e um cronograma para adequar as duas unidades às normas sanitárias, incluindo a implantação da etapa de filtração. Segundo relatório da Agenersa citado no processo, a Unidade de Tratamento Rio Souza opera com tratamento simplificado e apresenta irregularidade pela ausência de filtração na captação de água de manancial superficial. A decisão também cita a Portaria GM/MS nº 888/2021, que exige a filtração de águas provenientes de mananciais superficiais. Interrupções por turbidez A Águas do Rio fica impedida de realizar paralisações por turbidez da água brutaSegundo a decisão, a suspensão do fornecimento só poderá ocorrer após comprovação, junto à Vigilância Sanitária Municipal, de risco microbiológico que não possa ser controlado pelas medidas de tratamento determinadas pela Justiça. Em situações críticas, a concessionária deverá manter o fornecimento de água, adotar medidas de tratamento, orientar a população a ferver a água antes do consumo e reforçar o monitoramento microbiológico. Caso ocorra uma paralisação, a empresa também deverá realizar descargas controladas na rede antes da retomada do abastecimento para remover sedimentos e outros materiais acumulados durante o período de interrupção. Multa e bloqueio de valores Em caso de descumprimento das determinações, a Justiça estabeleceu multa pessoal de R$ 50 mil para os diretores e administradores da Águas do Rio por cada episódio de descumprimento. A decisão também autorizou o município e a AMAE-CM a executarem diretamente ou contratarem, às custas da concessionária, serviços e equipamentos necessários para garantir a continuidade do fornecimento caso determinadas obrigações não sejam cumpridas. Entre as medidas previstas estão o fornecimento alternativo de água para equipamentos públicos, o desassoreamento das captações e a instalação de solução provisória de filtração. Em uma decisão complementar, assinada nesta terça-feira (15), a Justiça autorizou que os custos estimados dessas intervenções sejam apresentados e que o valor necessário possa ser bloqueado nas contas da concessionária para garantir o pagamento. Histórico de paralisações Dados da própria concessionária apresentados no processo mostram que, entre janeiro de 2025 e 3 de março de 2026, a UT Rio Souza teve 55 paradas, que somaram 671 horas e 30 minutos. No mesmo período, a UT Posto Pena teve 49 paradas, somando 746 horas e 39 minutos. Houve ainda 20 paralisações simultâneas das duas unidades, que totalizaram mais de 315 horas. O processo também registra que, quando as duas unidades são paralisadas ao mesmo tempo, ocorre a interrupção total do abastecimento atendido por elas. Entre os dias 6 e 12 de setembro deste ano, os autores da ação relataram 110 horas de desabastecimento no município. O problema voltou a ocorrer nesta segunda-feira (14), quando a Águas do Rio informou que o abastecimento foi temporariamente interrompido em algumas regiões de Cachoeiras de Macacu. Segundo a concessionária, as unidades Rio Souza e Posto Pena precisaram ser paralisadas após a elevação da turbidez da água nos pontos de captação em razão das chuvas. A empresa informou que o abastecimento seria normalizado gradativamente assim que fossem restabelecidos os padrões de qualidade da água. As interrupções provocadas pela turbidez também foram registradas em fevereiro. Na ocasião, a Águas do Rio informou que a operação das unidades Rio Souza e Posto Pena havia sido interrompida após a elevação da turbidez da água nos pontos de captação provocada pelas chuvas. O que diz a Águas do Rio Procurada pelo g1, a concessionária Águas do Rio informou que, mesmo após o pagamento integral da outorga ao município, ainda não conseguiu exercer plenamente o contrato de concessão em Cachoeiras de Macacu devido, segundo a empresa, ao descumprimento de obrigações contratuais por parte da Prefeitura. A concessionária informou que o tema está sob análise do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e da agência reguladora. Sobre a decisão, a empresa disse que irá se manifestar nos autos do processo, dentro dos prazos legais e reafirmou o compromisso com o cumprimento do contrato de concessão, com a segurança jurídica e com a adequada prestação dos serviços à população de Cachoeiras de Macacu. O que diz a Prefeitura Em nota, a Prefeitura informou que a alegação da concessionária de que pendências contratuais por parte do município impediriam a execução do contrato não procede e não justifica as falhas na prestação do serviço. Segundo o município, as determinações da Justiça tratam de obrigações técnicas nas unidades operadas pela concessionária e não têm relação com as questões contratuais, que seguem em análise pelos órgãos competentes. A Prefeitura informou ainda que os dados sobre os recursos destinados ao saneamento serão divulgados após a consolidação das informações. O município e a AMAE-CM afirmaram que continuarão cobrando da concessionária a prestação de um serviço regular e de qualidade para a população.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/regiao-serrana/noticia/2026/09/16/aguas-do-rio-tera-que-adotar-medidas-para-reduzir-interrupcoes-no-abastecimento-em-cachoeiras-de-macacu.ghtml


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